03/09/2009

A carta 1


Na pensão, Nando chega ao seu quarto, guarda o pacote com as coisas que comprou na lojinha perto da sorveteria e desce para procurar dona Janete com duas peças de roupa e pede para ela lavar pra ele, ela diz que sempre que tiver alguma coisa para ela lavar é só deixar na lavanderia dentro de uma sacola, e dona Janete diz para Nando que é para ele tomar um banho e descansar um pouco, pois depois do jantar ela quer saber o que aconteceu antes da hora do almoço que a policia esteve ali dentro da pensão para levar Marcelo. Nando sobe para o seu quarto, toma um banho e deita na cama para descansar um pouco e se lembra que comprou o envelope e o papel para escrever uma carta para os seus pais. E começa a escrever. Joinville 19 de abril de 1989


SAUDAÇÕES

É com muita saudade que escrevo esta carta para contar como estou e o que eu tenho passado nesses últimos dias, espero que todos estejam tudo bem assim que receberem essas poucas linhas. Hoje é um dia muito feliz para mim, podem ter certeza disso, eu fui ontem a uma fábrica de parafusos e adivinha, eu consegui um emprego lá, e hoje eu fui lá pra fazer uns exames de saúde e já conheci toda a fabrica que faz parafusos e manda para todo o Brasil, inclusive para Manoel ribas. Lá eles fabricam todo tipo e todo tamanho de parafusos, e em breve eu estarei trabalhando lá. A fabrica é muito grande e vai aumentar de tamanho, até o fim do ano eles vão dobrar de tamanho, um barracão enorme já está sendo construído e vai funcionar até o fim do ano e eu vou trabalhar lá. Eu vou trabalhar no setor de expedição, eu ainda não sei direito o que eu vou fazer lá, mas amanhã eu começo a fazer um treinamento de quatro dias onde eu espero aprender todo o serviço para começar bem minha nova vida aqui na cidade grande. Mãe, pai, eu conheci uma moça aqui que é irmã do Sandro, aquele do armazém, que levou os foguetes aquela vez lá em casa e que deu aquele acidente que quase estragou o nosso natal. Eu conheci também outro rapaz que morava aí e hoje ele tem uma vidraçaria aqui em Joinville, ele me disse que tem muita gente que veio de Manoel ribas e trabalha aqui em Joinville. Mãe, diz pra Adélia que ela tinha razão, o Marcelo não presta, vocês acreditam que ele estava batendo em um velhinho aqui na rua ontem a noite junto com uns moleques e hoje de manhã ele foi preso junto com uns amigos dele por roubar uma farmácia aqui perto da pensão. Dona Janete a dona da pensão aqui me disse para ficar bem longe dele e eu acho que vai ser a melhor coisa que eu tenho a fazer é ficar longe dele mesmo. Eu começo a trabalhar logo e assim que eu puder, vou comprar uma casa e vou trazer vocês pra morar comigo. Eu prometo. Mãe, eu conheci uma menina aqui, o nome dela é Clara, ela é linda, tem dezoito anos e trabalha em uma lanchonete aqui perto da fabrica onde eu vou trabalhar, eu conversei com ela no dia que eu cheguei aqui e hoje eu dei um beijo nela eu acho que vamos começar a namorar, eu só tenho que esperar até amanhã para ver se ela vai conversar comigo ou se ela vai me dar um fora. Foi ela que me disse que tinha esse emprego lá na fábrica e eu fui lá ver e vou começar a trabalhar logo. Eu estou muito feliz.
Mãe, pai, o lugar aqui é muito lindo, tudo muito grande e eu gostei muito daqui. Tem uma coisa que eu não contei, no dia que eu saí daí o ônibus foi assaltado e os bandidos levaram todas as minhas coisas, mas um tempo depois a policia pegou eles e eu recuperei tudo de novo. O dinheiro que eu trouxe eu já gastei a metade, Mas já deixei três meses de aluguel pago aqui na pensão e o resto eu vou usar para ir trabalhar e comprar alguma coisa até que eu receba o meu primeiro mês de salário. Não se preocupe comigo, eu estou bem e vou terminar esta carta por aqui pois preciso descansar para poder começar o treinamento lá na fábrica amanhã. Mãe dê um beijo nos pequenos, eu amo vocês, diz pra Ana Paula que eu escrevo pra ela e pra Adélia quando eu tiver mais um tempo.
Beijos do seu filho...

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